Trabalhadores do Grupo 19 rejeitam proposta do TRT

g19
Trabalhadores recusaram a proposta apresentada pelo Tribunal [Foto: Wir Caetano/Sindmon-Metal]
Em assembleia realizada nesta sexta-feira (15), trabalhadores do Grupo 19 votaram contra proposta salarial formulada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na audiência de dissídio coletivo no último dia 12.

O Sindmon-Metal informará o posicionamento da categoria à Justiça na segunda-feira, 18, último prazo para os dois sindicatos (dos metalúrgicos e patronal) manifestarem sua decisão ao TRT, no processo de dissídio coletivo.

Em razão de não ter havido acordo, o processo deverá ir a julgamento, mas não há impedimento para que patrões e trabalhadores retomem a negociação e busquem consenso.

 

Dirigente da CNM/CUT assume Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais

Ubirajara Freitas foi indicado pelo movimento sindical e apoiado por auditores do Trabalho. Bira (como é mais conhecido) é diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e integrante da Rede Nacional de Trabalhadores da ArcelorMittal. Posse solene será nesta quinta-feira (10).

 – Com informações da CNM/CUT – 

[Bira (esq), novo superintendente da SRTE, e Paulo Cayres, presidente da CNM/CUT  – Foto: CNM/CUT]

O metalúrgico Ubirajara Freitas (Bira), é o novo superintendente Regional do Trabalho e Emprego (STRE) em Minas Gerais. Ele é diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem, secretário de organização da Confederação Nacional dos Metalúrticos da CUT (CNM/CUT) e integrante da Rede Nacional de Trabalhadores da ArcelorMittal. A posse será nesta quinta-feira (10), às 15h30, no auditório da SRTE, na rua Tamoios, 596, 10° andar, Centro, Belo Horizonte (MG). A cerimônica contará com a presença do ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto.

A indicação de Freitas para o cargo partiu de dirigentes sindicais cutistas de várias categorias e imediatamente contou com o apoio de outras centrais sindicais, da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT e também dos auditores do trabalho no Estado, que tinham outra indicação para o cargo, mas retiraram. “Eu fui surpreendido com a indicação e meu nome passou a receber apoio também de deputados estaduais do PT e do PCdoB. Com toda essa gama de apoios, meu nome foi levado ao ministro Rossetto, que aceitou a indicação”, contou Bira, como é conhecido no meio sindical.

Ele assume a Superintendência num momento desafiador quando Minas Gerais ainda está sob os efeitos do desastre em Mariana, ainda contabilizando desaparecidos e mortos com o rompimento da barreira da Samarco/Vale, no dia 5 de novembro, e vive as consequências dos graves danos ambiental e econômicos na região.

“Os trabalhadores mortos ou desaparecidos são ligados a empresas terceirizadas pela Samarco. Há uma força-tarefa do Ministério em Mariana sobre essas empresas e a Samarco dificulta o nosso trabalho, até mesmo para apurar quem são esses trabalhadores e suas famílias. Sem dúvida, o papel da STRE é indiscutível nesse momento. Antes do desastre, já havia problemas nas relações de trabalho na mineradora. E a terceirização é o maior deles”, assinalou o superintendente.

Freitas destacou que ainda no âmbito da STRE – que tem 67 gerências espalhadas pelo estado –, pretende atuar nos dois perfis do órgão: “da porta para fora”, com a atuação para fiscalizar e assegurar o cumprimento da legislação e convenções do trabalho por parte das empresas; e “da porta para dentro”, para dar conta doas questões administrativas e de infraestrutura.

“A minha origem e a forma como fui indicado para o cargo me levam a querer atuar nessas duas frentes. A contribuição dos dois lados – os funcionários da Superintendência e o movimento sindical – será fundamental para uma boa atuação”, avaliou.

O presidente da Confederação, Paulo Cayres, avaliou que a STRE/MG ganhou importância com o novo titular.

“Bira sempre teve compromisso com a classe trabalhadora e sua luta em defesa dos direitos. Com esse aval do movimento sindical, tenho certeza de que as ações do Ministério do Trabalho no estado serão intensificadas e serão decisivas para que as empresas respeitem as leis e as convenções coletivas de trabalho. Bira terá todo apoio da CNM/CUT nessa nova tarefa”, enfatizou Cayres.

Trajetória sindical 

Dirigente sindical há 20 anos, Freitas iniciou sua trajetória no Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem e ajudou na criação da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT/MG. Hoje, a entidade é protagonista na organização da categoria no Estado e coordena a campanha salarial levada em conjunto por entidades ligadas à CUT, Força Sindical e CTB.

Em abril último, Freitas foi eleito para o seu terceiro mandato na CNM/CUT, o segundo como secretário de Organização. Entre suas atribuições na entidade, foi o responsável pelo desenvolvimento de ações para a criação e a consolidação de Redes Sindicais de trabalhadores e integra da Rede Nacional de Trabalhadores da ArcelorMittal. “Hoje as Redes são fundamentais para a luta por direitos iguais nas multinacionais, tanto nas plantas existentes no próprio país, quando em nível internacional. Por meio delas, temos conseguido estabelecer Acordos Marco Internacionais e avançar no debate do contrato coletivo nacional de trabalho para a categoria”, ressaltou.

CNM/CUT quer medidas para estimular indústria do aço no Brasil

– Em encontro com empresários do segmento, entidade defende aumento da alíquota de importação, que está em estudo pelo governo, e medidas para garantir emprego e renda – 

– Com informações da CNM/CUT – 

Encontro entre sindicalistas e empresários no Instituto Aço Brasil

“É preciso proteger a indústria do aço e os empregos no Brasil. Para isso, defendemos que sejam adotadas uma série de medidas, entre elas o aumento da alíquota de importação do aço”. A afirmação é do presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Paulo Cayres, que se reuniu, na tarde do último dia 17, no Rio de Janeiro (RJ), com o presidente do Instituto Aço Brasil (IAbr), Marco Polo de Mello Lopes, para entregar documento com propostas da categoria à entidade empresarial.

O encontro no IABr – do qual também participaram o secretário geral em exercício da Confederação, Loricardo de Oliveira, e o diretor José Quirino dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) – foi solicitado pelos sindicalistas. “O documento entregue aos empresários pede a abertura de um espaço permanente de diálogo, de preferência triparte, para a elaboração de propostas para valorizar o segmento e para preservar os empregos e a renda dos trabalhadores”, explicou Cayres.

Medidas

O aumento da alíquota de importação do aço – que está em estudo pelo governo – é, na avaliação da CNM/CUT, uma medida urgente a ser adotada. “Já perdemos, só este ano, 14 mil postos de trabalho na siderurgia, por conta da retração no mercado e do acirramento da competição internacional. Por isso, apoiamos a proposta da presidenta Dilma Rousseff de rever as alíquotas de importação [que, segundo o jornal, poderiam chegar a 20%, contra um teto máximo atual de 14%], mas queremos discutir outras ações e que os trabalhadores sejam parte dos fóruns de deliberação de propostas”, assinalou Paulo Cayres, alertando que, se nada for feito, em breve outros oito mil postos de trabalho poderão ser cortados no setor.

O metalúrgico lembrou que várias nações adotam medidas para proteger suas indústrias, por meio de altas taxas de imposto de importação. “O Brasil tem o direito de fazer o mesmo, como forma de estimular a indústria e agregar valor à produção nacional”,  considerou.

Na avaliação da Confederação – que representa mais de 800 mil metalúrgicos da CUT em todo o país – é preciso também que haja mais investimentos públicos e privados no segmento, para contribuir com a retomada de seu crescimento, garantindo o nível de emprego e a manutenção da mão de obra qualificada. “Defendemos também as políticas de conteúdo mínimo nacional, para incentivar o consumo interno de insumos para setores estratégicos, como as indústrias da construção, a automobilística, bens de capital e de petróleo e gás”, completou Loricardo de Oliveira.

Os empresários, por sua vez, defenderam uma política baseada em câmbio competitivo, não cumulatividade de impostos e juros “civilizados”.

Além do presidente do IABr, participaram da reunião com os dirigentes da CNM/CUT representantes da Gerdau e da ArcelorMittal.

Dieese homenageia João Paulo e outros sindicalistas em solenidade de 60 anos da instituição

– Solenidade fez parte da programação de seminário internacional sobre salário mínimo – [com informação da ALMG e CUT/MG] – 

[João Paulo presidiu o Sindmon-Metal no período de 1972 a 1980 e tornou-se referência do sindicalismo - Foto: Miriam Costa]
[João Paulo presidiu o Sindmon-Metal no período de 1972 a 1980 e tornou-se referência do sindicalismo – Foto: Miriam Costa]

Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) nos anos 1970, João Paulo Pires de Vasconcelos foi homenageado, em nome da entidade, em solenidade comemorativa dos 60 anos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na última segunda-feira, 9, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A comemoração, que contou com homenagens a entidades sindicais que acolheram o Dieese no Estado, integrou a programação do primeiro dia do seminário internacional Salário mínimo e desenvolvimento: lições do Brasil e de experiências internacionais”, encerrado na terça-feira, 10.

A solenidade foi realizada pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social da ALMG, com apoio da CUT/MG – que também já foi presidida por João Paulo, que ainda integra a diretoria da CUT Vale do Aço -, outras centrais sindicais e movimentos sociais. Durante o evento, também foi lançado o livro “Salário Mínimo no Brasil – A luta pela valorização do trabalho”, obra organizada por Frederico Luiz Barbosa de Melo, da Subsede do Dieese da CUT/MG.

João Paulo afirmou que, com um reconhecimento em nível nacional e internacional, o Dieese deu uma preciosa sustentação aos trabalhadores brasileiros, em uma época difícil, como foi o período da Ditadura Militar. “O superfaturamento é uma prerrogativa dos donos do dinheiro e o subfaturamento é a prerrogativa dos trabalhadores”, frisou o sindicalista.

A presidente da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, que compareceu à solenidade, destacou que “o Dieese é tão importante para a CUT que a prioridade da nossa primeira gestão foi ter uma Subsede na Central. Desejo uma vida muito longa ao Dieese, uma instituição muito importante para a classe trabalhadora”.

Já o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerrison Lopes, outro homenageado na solenidade, afirmou que o Dieese é a segurança dos sindicatos nos momentos difíceis e de negociações com a classe patronal.

Um dos mais antigos voluntários do Sevor, presidente do Sindmon-Metal recebe homenagem em cerimônia de aniversário do Serviço de Resgate

otacilio3
Otacílio, presidente do Sindmon-Metal, será homenageado [ Foto: Estúdio Flávia Núbia]

O Serviço Voluntário de Resgate (Sevor) realiza na quarta-feira (4), no Centro Educacional de João Monlevade, evento comemorativo de 15 anos de atividade. A cerimônia, que começa às 19 horas, contará com homenagens a voluntários mais antigos, parceiros e colaboradores. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmon-Metal), Otacílio das Neves Coelho, socorrista desde o início da entidade, será um dos homenageados.

A história do Sevor, que, segundo seu presidente, Humberto Guimarães, contabiliza certa de 20 mil atendimentos, ganhou repercussão nacional principalmente pelos serviços prestados a vítimas de acidentes na BR-381, a “rodovia da morte”. Essa trajetória histórica sempre contou com a parceria do Sindmon-Metal, traduzida, entre outras ações, pela doação de uma ambulância ao Sevor, que a utilizou por vários anos e a repassou, mais tarde, a uma entidade beneficente.

O secretário social e de saúde do Sindmon-Metal Joselito Marques Abrantes, e os ex-diretores José Carlos de Souza e José Maria Pizate Filho, falecido em 2009, também foram socorristas do Sevor.

Relatório da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT mostra que trabalhadores foram principais vítimas da ditadura militar; experiência de João Monlevade está incluída

– Livro, lançado durante o 12º Congresso Nacional da Central, de 13 a 17 de outubro, traz, entre os documentos, reproduções digitalizadas de páginas do processo contra dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Monlevade, em 1964, cedidas pelo Cerem – 

– [Com informações do Cedoc/CUT] –

Página 59 do Relatório trata do Cerem
Página 59 do Relatório trata do Cerem

A Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT (Central Única dos Trabalhadores) lançou durante o 12º Congresso Nacional da Central, realizado na cidade de São Paulo, entre os dias 13 e 17 de outubro, o seu Relatório contendo uma síntese dos trabalhos realizados e artigos de pesquisadores sobre a ditadura militar no Brasil. A publicação, organizada pelo Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT (CEDOC CUT), que assessorou a Comissão, utilizou, entre as fontes de pesquisas, documentos de instituições sindicais, entre elas o Centro de Referência e Memória do Trabalhador (Cerem) do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal).

O Relatório está dividido em quatro partes. Na primeira, mostra que os trabalhadores foram as principais vítimas da ditadura que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. No primeiro ano do golpe militar, morreram 27 pessoas vítimas da repressão, sendo que 15 eram trabalhadores, dentre os quais oito eram sindicalistas.

Dialogando com o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que reconheceu 434 mortos e desaparecidos políticos entre os anos 1950 e 1985, a Comissão da CUT mostra que 56 desses eram dirigentes e ativistas sindicais, representando 13% do total, número bem maior que os 5% de sindicalistas mortos e desaparecidos reconhecidos pela CNV.

A CUT também reconheceu no seu Relatório casos de trabalhadores mortos em manifestações trabalhistas que não foram reconhecidos pela CNV, como as ocorrências com Amaral Vaz Meloni, assassinado durante a greve de Guariba em 1984, e Orlando Corrêa e Sybele Aparecida Manoel, assassinados durante a greve de Leme em 1986, dentre outros. O livro mostra, igualmente, que da mesma forma que o Estado reconheceu os assassinatos de Raimundo Ferreira Lima (Gringo), Wilson Pinheiro, Margarida Maria Alves e Nativo da Natividade de Oliveira como crimes políticos, deveria reconhecer dezenas de outros casos de sindicalistas rurais que foram assassinados nas mesmas circunstâncias. Conforme a legislação de justiça de transição no Brasil, o Estado deve reconhecer como crimes políticos as pessoas assassinadas por policiais em manifestações públicas até 5 de outubro de 1988.

Na segunda parte, o livro relata os atos de sindicatos e da CUT por memória verdade, justiça e reparação levados a cabo entre julho de 2013 e janeiro de 2015. Mostra que a Central participou de outras atividades, como o Tribunal Tiradentes que julgou a lei de anistia, organizou atos e seminários em repúdio ao golpe militar e recebeu apoios importantes.

A terceira parte é dedicada à pesquisa e documentação e traz reproduções de documentos e fotos sobre intervenções sindicais, invasões de sindicatos, repressão às greves e também pesquisas desenvolvidas por entidades CUTistas e seus centros de documentação. Entre os documentos reproduzidos, estão páginas do Processo da Justiça de nº 4281, movido contra dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade, em 1964, num ato de perseguição aos trabalhadores que envolveu ação conjunta entre militares e a então Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (atualmente, ArcelorMittal).

A quarta e última parte do livro reúne artigos de pesquisadores sobre a ditadura militar no Brasil e uma entrevista com Paulo Vannuchi, ex-secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, que trata das ações dos trabalhadores por memória, verdade, justiça e reparação e as perspectivas para a punição dos responsáveis por mortes, desaparecimentos e torturas durante o regime militar no Brasil.

O Relatório da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça conta com a apresentação do presidente da CUT, Vagner Freitas, e prefácio de Expedito Solaney, ex-secretário de Políticas Sociais da Central, que coordenou a Comissão.

A CUT entregará o livro oficialmente à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e, nos casos onde reconhece pessoas mortas devido à repressão política, exigirá que sejam feitas a abertura de procedimentos para as reparações políticas e materiais.

A publicação da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT, em sua edição em papel, pode ser solicitado ao Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT (cedoc@cut.org.br). A versão eletrônica está disponível AQUI>>>